
Produtor de Nelore P.O. conecta tradição rural brasileira, inovação genética e leitura estratégica do mercado internacional.
Natural de Paraúna, Goiás, Celso Henrique da Silva Ferro carrega no sobrenome e na trajetória uma relação profunda com o campo. Filho de Celso Ferreira da Silva, conhecido no meio rural como Celsão, ele cresceu em uma família tradicionalmente ligada à pecuária, onde o gado sempre foi mais do que um negócio — foi escola de valores, disciplina e visão de longo prazo.
Essa herança, no entanto, nunca foi encarada como um ponto de chegada, mas como base para decisões estratégicas que moldaram sua atuação no agronegócio brasileiro e, mais recentemente, no cenário internacional.
Da tradição familiar à pecuária de elite
A trajetória de Celso Ferro na pecuária começou ainda em Goiás, ao lado do pai, mas ganhou um novo capítulo nos anos 1990, quando ambos tomaram uma decisão estratégica: adquirir uma fazenda no município de Tabaporã, no Mato Grosso, a cerca de 200 quilômetros de Sinop. A região, que já despontava como uma das mais promissoras fronteiras da pecuária nacional, oferecia condições ideais para quem buscava evolução produtiva com foco em qualidade.
Foi nesse contexto que Celso passou a estruturar um trabalho técnico voltado à criação de gado Nelore P.O. Em Tabaporã, a convivência com criadores experientes, como Antônio Pacola — referência na raça — foi determinante para o início de um projeto consistente de seleção genética. A aquisição de matrizes cuidadosamente escolhidas deu origem ao plantel Nelore Celsão, construído com critérios técnicos, paciência e visão de longo prazo.
Para Celso, genética nunca foi tratada como tendência, mas como investimento estratégico. “Produtividade e qualidade precisam caminhar juntas”, defende. A seleção de touros, o acompanhamento de desempenho e a melhoria contínua tornaram-se parte da rotina, consolidando um rebanho com identidade própria e reconhecimento no mercado.
Genética como ferramenta de transformação regional
Diferentemente de muitos projetos voltados exclusivamente à grande escala, Celso Ferro fez uma escolha clara de posicionamento. A comercialização dos seus animais concentra-se principalmente nos mercados do Mato Grosso e do Pará, com foco estratégico em pequenos e médios produtores.
Essa decisão não é casual. Pequenos e médios pecuaristas são responsáveis por uma parcela significativa dos bezerros que abastecem o mercado de reposição, confinamento e abate no Brasil. Ainda assim, muitas vezes, eles não têm acesso direto a grandes leilões ou a bancos de sêmen.
Ao direcionar sua genética a esse público, Celso atua como agente de transformação da cadeia produtiva. “Levar genética de qualidade para esses produtores significa melhorar a eficiência e a produtividade de regiões inteiras”, explica. O impacto vai além do negócio individual, fortalecendo um elo essencial da pecuária nacional.

Uma mudança de país, não de propósito
No ano de 2014, Celso Ferro tomou uma decisão que ampliaria significativamente sua visão de mundo. Ao lado da esposa e dos filhos, mudou-se para os Estados Unidos, motivado principalmente pelo compromisso com a educação e a formação acadêmica dos filhos. Hoje, mais de uma década depois, dois deles já são formados no país — um em Agronomia e outro como Nurse Practitioner —, enquanto outro filho concluiu a graduação em Direito, e mais um inicia agora sua trajetória universitária nos Estados Unidos.
A vivência internacional não afastou Celso do campo brasileiro. Pelo contrário: ampliou sua leitura de mercado, governança, padrões regulatórios e modelos de gestão. A partir dos Estados Unidos, ele mantém uma atuação estratégica baseada em relacionamento, troca de experiências e construção de pontes entre mercados.
Essa experiência também consolidou seu papel como consultor de negócios internacionais, especialmente para empresários e produtores que buscam compreender o ambiente regulatório, cultural e estratégico dos mercados externos.

Visão global e comércio internacional
Para Celso Ferro, o Brasil possui um dos sistemas de produção de carne mais eficientes do mundo, mas o acesso aos mercados internacionais ainda é marcado por desafios. Barreiras sanitárias, regulatórias e políticas fazem parte do jogo, especialmente quando se trata de mercados exigentes como o norte-americano.
Ainda assim, ele enxerga oportunidades claras no fortalecimento institucional do setor, na rastreabilidade, na profissionalização da cadeia e em acordos comerciais que criem ambientes mais previsíveis. “O futuro da carne brasileira passa pela confiança, pela transparência e pela capacidade de atender padrões globais”, afirma.
Essa leitura estratégica, aliada à experiência prática no campo e à vivência internacional, posiciona Celso como um interlocutor qualificado entre o agronegócio brasileiro e o mercado global.

Valores que sustentam negócios de longo prazo
Em um setor cada vez mais competitivo, Celso mantém princípios claros. Integridade, palavra cumprida e transparência são valores inegociáveis. Para ele, bons negócios não se sustentam apenas em contratos, mas em postura, coerência e responsabilidade ao longo do tempo.
“Gosto de trabalhar com pessoas e empresas que tenham histórico, reputação e compromisso real”, diz. Essa abordagem explica a solidez das parcerias que construiu tanto no Brasil quanto no exterior.
Entre o campo e o tempo
Entre os interesses pessoais de Celso Ferro, o vinho ocupa um espaço simbólico. Para ele, o vinho representa cultura, tempo e processo — elementos que dialogam diretamente com a pecuária. “Assim como o campo, o vinho exige paciência, cuidado e respeito ao ciclo produtivo”, reflete.
Nos Estados Unidos, um de seus vinhos favoritos é o Caymus Cabernet Sauvignon, do Vale de Napa. A escolha não é apenas pelo sabor, mas pelo que ele representa: decisões corretas ao longo do tempo, consistência e identidade — os mesmos princípios que orientam sua atuação no agronegócio.
Por Guillermo Cesar Gomez

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